quinta-feira, 1 de abril de 2010

meras palavras


A palavra é como um objecto. Um objecto sem nome concreto, sem utilidade estipulada, que cada pessoa usa à sua maneira, sempre em seu proveito. Incorpora-se nas mais variadas vozes, géneros, línguas, estilos, caracteres. A palavra é maneável, e embora encontremos uma infinidade delas, cada uma tem o poder de ser única e insubstituível. A palavra é inconstante. E se num indivíduo consegue ser grandiosa, há sempre um génio que a transforma em puro lixo, em algo tão descartável como a sua inteligência.
Bem, lembras-te? Lembras-te de quando eras pequeno e assim que conhecias alguém lhe agarravas na mão e dizias: "vem, vamos brincar, tenho um brinquedo novo tão giro."
E agora? Quando conheces alguém, sentes um olhar.
Tremes, um olhar que parece querer dizer-te " esta pensa que chega aqui e é a maior."
Agora esse mesmo olhar julga-te pelo que és por fora, julga-te pelo que aparentas ser.
Tu não és um poema que tem uma interpretação diferente para cada um. Bem, tu és tu, uma única coisa, uma única interpretação. E és assim, és aquilo por dentro que não aparentas ser por fora.
Antes, aquele sorriso doce de criança mostrava como essa criança era. Agora aquelas meninas bonitas que te sorriem no corredor da escola, falam mal de ti.
E essas meninas antes diziam-te "o teu cabelo hoje está feio."
O que mudou? Tudo mudou, mas eu não vou mudar, vou continuar com este doce sorriso, não com uma grande falsidade que se apodera de mim e me destrói a pouco e pouco.


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