
Hoje é dia de memórias nostálgicas. Escrever é um estado de espírito?
Um dia, acordas de manhã e apercebes-te que sabes escrever, que consegues escrever exactamente tudo aquilo que desejas. As palavras surgem-te tão naturalmente como a água com a qual lavas as mágoas todas as manhãs. No entanto, se algum dia a inibires ou jogares fora, ela não volta. Não tens direito a uma segunda oportunidade, porque quem larga a tua mão uma vez também larga duas ou três e as palavras não estão para gastar o tempo delas com quem não as segura.
Quando alguma coisa termina, lembramo-nos sempre das pessoas a quem não damos o devido valor, e que merecem muito mais do que qualquer outra.
Relembramos pessoas antigas, amizades que perdemos durante longos períodos de tempo. Ficamos com saudades das alegrias que nos eram proporcionadas, dos momentos vividos, das experiências partilhadas.
Memórias de infância são as que melhor me recordo, e também só nos recordamos das coisas relevantes da nossa vida.
Lembro-me de pessoas e não de acontecimentos em si.
Os meus avós maternos são a minha memória mais doce e ternurenta, talvez porque com eles, passei a grande parte da minha vida, são mais que meus pais, tal como a minha avó dizia, são duas vezes meus pais.
Lembro-me de tudo pelo que passamos e por vezes dou por mim a pensar nisso.
Lembro-me dos verões, passados naquele terraço de pedra lascada, onde os raios de sol incidiam, iluminando os meus grandes e compridos caracóis, que a minha avó insistia em pentear.
Lembro-me também daquele velho baloiço feito de corda e madeira, que o meu avô fez com tanto carinho, esse baloiço que continua lá no mesmo sitio, debaixo daquela velha palmeira.
Era tão pequenina, achava que tinha o mundo a meus pés.
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