meNunca tive muito jeito para me caracterizar,
não sei bem como me pintar,
as vezes sorridente outras menos contente.
Sou uma amante serena num mundo vadio.
onde procuro o meu ponto de abrigo,
um refúgio escondido de tempestades amainadas,
quando me sentir a enfraquecer.
E vou acabar eu, assim com o poema inacabado?
bem, sendo assim mais valia nem ter começado.
O meu coração anda acorrentado,
dominado por este sentimento abstracto,
não sei bem se será pecado,
mas não consigo fazer melhor este meu retrato.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
meras palavras

A palavra é como um objecto. Um objecto sem nome concreto, sem utilidade estipulada, que cada pessoa usa à sua maneira, sempre em seu proveito. Incorpora-se nas mais variadas vozes, géneros, línguas, estilos, caracteres. A palavra é maneável, e embora encontremos uma infinidade delas, cada uma tem o poder de ser única e insubstituível. A palavra é inconstante. E se num indivíduo consegue ser grandiosa, há sempre um génio que a transforma em puro lixo, em algo tão descartável como a sua inteligência.
Bem, lembras-te? Lembras-te de quando eras pequeno e assim que conhecias alguém lhe agarravas na mão e dizias: "vem, vamos brincar, tenho um brinquedo novo tão giro."
E agora? Quando conheces alguém, sentes um olhar.
Tremes, um olhar que parece querer dizer-te " esta pensa que chega aqui e é a maior."
Agora esse mesmo olhar julga-te pelo que és por fora, julga-te pelo que aparentas ser.
Tu não és um poema que tem uma interpretação diferente para cada um. Bem, tu és tu, uma única coisa, uma única interpretação. E és assim, és aquilo por dentro que não aparentas ser por fora.
Antes, aquele sorriso doce de criança mostrava como essa criança era. Agora aquelas meninas bonitas que te sorriem no corredor da escola, falam mal de ti.
E essas meninas antes diziam-te "o teu cabelo hoje está feio."
O que mudou? Tudo mudou, mas eu não vou mudar, vou continuar com este doce sorriso, não com uma grande falsidade que se apodera de mim e me destrói a pouco e pouco.
mãe, minha mãe

Mãe, desde que me lembro que trabalhas á noite, por isso todas as manhãs ando em pézinhos de lã pela casa para não te acordar. Adormeço com a tua voz aos meus ouvidos, entre castelos e princesas que me fazem adormecer. Nunca me importei de ficar sozinha, juro que não mamã! Apesar dos meus sete anos, tu sabes que eu já sou uma senhora corajosa. Sou corajosa como tu! Não tenho medo do escuro e já não acredito em monstros no meu armário, bem sabes que isto é mentira.
Mas ontem algo aconteceu. O relógio marcava as duas horas da manhã e eu acordei com um barulho vindo do corredor. Por momentos pensei ter sido um sonho, mas voltei a ouvir o mesmo barulho. Eras tu, mãe, só podias ser tu! Uma felicidade gigante percorreu-me o corpo pela tua chegada a casa. Ergui-me da cama, eufórica, e acendi a luz. Não acredito, mamã, que tinhas vindo mais cedo ter comigo. É bom acordar com o teu regresso, gosto tanto de ti mãe! Vem contar-me a mesma história que contaste antes de ir embora. Vem dar-me o teu aconchego.
Calcei os sapatos de quarto - porque tu te zangas quando ando descalça - e abri a porta. Ia ter contigo, mamã, e abraçar-te, e mimar-te. Chamei o teu nome e acendi a luz do corredor para te encontrar. Não te vi em parte alguma. Voltei a chamar por ti: Onde estás? Porque vieste mais cedo? - mas tu nada respondeste. Vais fazer uma careta por me ver acordada a esta hora, mas eu não me importo.
Foi então que vi a luz da cozinha acesa. És tão previsível, sempre com esse ratinho na barriga. Vou ter contigo, meu protector, e vamos beber leite e comer biscoitos antes de adormecer novamente. Percorri o corredor em passos saltitantes e abri a porta... mas não te vi. Não vi o teu cabelo loiro, nem o teu sorriso acolhedor, nem o teu olhar meigo. Não vi nada de ti. . Sinto muita raiva aqui. Sinto muito nojo, e muita maldade, e muito medo. Onde estás? Não sentes que preciso de ti? Nos filmes os pais sentem sempre isso, e depois voltam para casa na hora certa. Acho que esta é a hora certa. Protege-me mãe!
choque para a realidade
De que te servem as boas notas se deixas a vida arrumada nas estantes?
Eu nunca tive um 20, não sou uma aluna aplicada e odeio estudar, sinceramente. Os meus trabalhos de casa geralmente são copiados ou feitos dez minutos antes da aula começar, faço cábulas, riu-me, falo e baldo-me. Eu também sei estudar para um teste quando é preciso e sei estar atenta nas aulas. Eu sei ser responsável às vezes. Já me deitei às três da manhã porque tinha trabalhos para fazer e já abdiquei do belo cafézinho para estudar. Mas ao menos vivo! Daqui a uns anos, quando for mãe, que tenho para contar aos meus filhos? Olhem, a mãe na vossa idade não tinha amigos e não saía, mas tinha excelentes notas.
Eu tenho consciência de que se me aplicasse, teria excelentes notas porque eu não sou burra nem limitada, simplesmente sou desinteressada! Não tenho negativas nem tenho 20s. Sou uma aluna mediana, como tanta gente. Interesso-me mais pelo calor de viver, pela adrenalina de um raspanete e pelo lado cómico de um castigo. Adoro cantar num a altos berros, adoro conversar com os professores fora das aulas, adoro arriscar!
Não vivo em função da escola, e com 16 anos a escola tem que ser uma prioridade mas a diversão também. Não preciso de ser rebelde e dizer que a escola não presta, porque presta. Sem estudos não vou a lado nenhum, achas que não sei isso? Dou-te toda a razão:
Preciso de estudar para ser alguém.
Mas tu precisas de te divertir para seres alguém FELIZ!
Vou mudar de atitude, vou ser uma aluna não de 20's infeliz nem de 10's feliz, mas de 16's felizes, sei que tenho capacidades e não as aproveito como devia.
diário de uma adolescente com devaneios

memórias de infància

Hoje é dia de memórias nostálgicas. Escrever é um estado de espírito?
Um dia, acordas de manhã e apercebes-te que sabes escrever, que consegues escrever exactamente tudo aquilo que desejas. As palavras surgem-te tão naturalmente como a água com a qual lavas as mágoas todas as manhãs. No entanto, se algum dia a inibires ou jogares fora, ela não volta. Não tens direito a uma segunda oportunidade, porque quem larga a tua mão uma vez também larga duas ou três e as palavras não estão para gastar o tempo delas com quem não as segura.
Quando alguma coisa termina, lembramo-nos sempre das pessoas a quem não damos o devido valor, e que merecem muito mais do que qualquer outra.
Relembramos pessoas antigas, amizades que perdemos durante longos períodos de tempo. Ficamos com saudades das alegrias que nos eram proporcionadas, dos momentos vividos, das experiências partilhadas.
Memórias de infância são as que melhor me recordo, e também só nos recordamos das coisas relevantes da nossa vida.
Lembro-me de pessoas e não de acontecimentos em si.
Os meus avós maternos são a minha memória mais doce e ternurenta, talvez porque com eles, passei a grande parte da minha vida, são mais que meus pais, tal como a minha avó dizia, são duas vezes meus pais.
Lembro-me de tudo pelo que passamos e por vezes dou por mim a pensar nisso.
Lembro-me dos verões, passados naquele terraço de pedra lascada, onde os raios de sol incidiam, iluminando os meus grandes e compridos caracóis, que a minha avó insistia em pentear.
Lembro-me também daquele velho baloiço feito de corda e madeira, que o meu avô fez com tanto carinho, esse baloiço que continua lá no mesmo sitio, debaixo daquela velha palmeira.
Era tão pequenina, achava que tinha o mundo a meus pés.
Subscrever:
Comentários (Atom)